Fará no início de dezembro um ano que terminaram os “Diálogos com os Jerónimos”, que levaram dezenas de oradores e centenas de pessoas a debaterem o passado e o futuro da arte, da cultura, da engenharia, da língua, do património, do ambiente, do mar, da arquitetura, da filosofia, da economia, da política e de muitos outros temas, no cenário quinhentista do Mosteiro.

E que melhor lugar para se discutir o futuro dos saberes do que o Mosteiro dos Jerónimos, que só existe porque uma política pública com visão e com persistência se juntou à abertura e à popularização da ciência da época, permitindo aos artesãos construírem a naus, aos mapistas desenharem o mundo, aos navegadores entenderem os mares, os ventos e as estrelas, aos biólogos entenderem a fauna e a flora dos novos mundos que foram encontrando?

Mais de cinco Séculos depois das viagens marítimas portuguesas, parece bizarro estarmos ainda (ou outra vez) a discutir a validade do conhecimento e a importância que a Ciência poderá ter para o nosso bem-estar coletivo. E mais bizarro parecem as vozes que ouvimos um pouco por todo o lado, que descartam a Ciência e o conhecimento quando estes não estão de acordo com a sua visão do Mundo.

Não faltam exemplos de negação de evidência científica a tentarem influenciar as opções e as políticas públicas, desde assuntos de importância vital como a vacinações infantil ou as alterações climáticas até debates caricaturais como o que argumenta que o planeta é plano.

Hoje o melhor exemplo da ligação entre a Ciência e as opções de Políticas Públicas são as alterações climáticas. A Ciência não tem qualquer dúvida em afirmar que desde a década de 50 do Séc. XX, a utilização dos recursos naturais e o impacto das atividades humanas está a aquecer o planeta e a alterar o frágil equilíbrio que tem permitido a existência de todas as formas de vida, incluindo a nossa. Não é uma questão em aberto ou onde restem dúvidas: o equilíbrio natural está a mudar e os Seres Humanos, como a espécie dominante e com os instrumentos para atuar, têm que agir para impedirem que se ultrapasse um ponto onde o planeta fique comprometido definitivamente.

A Ciência pode até dizer-nos quais são as melhores soluções para enfrentamos os problemas que vivemos, mas não toma as decisões. Munidos do conhecimento, das receitas e das opções cientificamente válidas, compete à Comunidade Internacional, aos Governos e às Sociedades escolherem o que querem fazer, como o querem fazer e quando o querem fazer. Claro está que à medida que o tempo passa e as alterações climáticas se tornam mais graves, as opções vão diminuindo. Mas isso é também uma escolha, eventualmente irracional, que nos compete fazer.

Via: RSS Feed

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui