Detalhe em cima do balcão d’A Pastelaria, no Saldanha: fritos na hora!

Detalhe em cima do balcão d’A Pastelaria, no Saldanha: fritos na hora! (Rachel Verano/Arquivo pessoal)

Acaba de abrir um restaurante de coxinha. Repito: um RESTAURANTE de COXINHA. Não me lembro de tal feito em nenhum canto do Brasil. Mas agora Lisboa tem o seu, que fica em Alcântara e atende pelo nome de A Coxinharia. Ledo engano se pensa que é apenas uma lanchonete – é restaurante mesmo (e bar, e café). O cardápio inclui não apenas uma degustação de coxinhas como menus completos onde o salgado ganha acompanhamento de sopas, saladas, bebida e café para finalizar. Tem de frango, de queijo, de carne, de abóbora com camarão… além de uma versão vegetariana, com brócolis, cogumelos e tofu, e uma light, com massa de batata doce e frango, feita no forno. Portugal está bem representado com a de bacalhau com queijo da Serra (eu particularmente acho a combinação descabida, mas… gosto não se discute e não é à toa que a Casa Portuguesa do Pastel de Bacalhau, na Baixa, vive lo-ta-da de gente desesperada pelos bolinhos feitos com essa combinação). Mas voltando ao que interessa: aqui o salgado é frito na hora e está sempre fresco – esqueça os congelados.

Pois bem. Pastel de feira? Tem também. A Pastelaria abriu recentemente e frita na hora doses generosas de sabores como queijo, carne, pizza, palmito e bacalhau. O lugar, no Saldanha, é micro, mas ganha o freguês com guaraná geladinho. Só é pena o pastel demorar 15 minutos para ficar pronto em pleno inverno, enquanto você espera na rua se não tiver lugar nas três mesinhas de dentro. Provei o de palmito, meu sabor preferido da vida, e confesso que fiquei com saudades do pastel do Trevo de Bertioga, no litoral paulista. O de carne estava melhor. Agora preciso voltar para provar o de queijo, que especialistas de plantão garantiram ser o melhor.

Eu e meu enoooorme pastel de carne: massa crocante, frita na hora

Eu e meu enoooorme pastel de carne: massa crocante, frita na hora (Arquivo pessoal/Arquivo pessoal)

Aaaaah, você achava que ia sentir falta do bom e velho brigadeiro. Ledo engano. As versões gourmet aterrissaram por aqui com força total e fazem bonito. Minha preferida de todo sempre amém é a Brigadeirando, que faz os docinhos com a consistência perfeita em sabores como pistache, framboesa e limão, crème brûlée, avelã, flor de sal… além, claro, dos tradicionais ao leite e de chocolate meio amargo. Mas tem mais! Beijinho! Tortinhas! Brownies! Brigadeiro de colher no pote! Bolos! Aliás, acabei de comprar um de brigadeiro de pistache e massa de baunilha e desejo todos os dias que ele se materialize na minha mesa novamente. Há uma unidade no Lx Factory e outra na Casa Pau Brasil – aliás, outro pedaço do Brasil em Lisboa e Cascais, com marcas como Granado, Osklen, Luiza Perea, Flávia Aranha e quetais. A Livraria da Travessa, com sua linda vitrine no Príncipe Real, então, é pura poesia.

Tapioca e açaí já são figurinha fácil até em praça de alimentação de shopping. Pão de queijo congelado tem em quase todo supermercado grande. Bons wine bars comandados por brasileiros já se fazem notar. Mas e pudim de leite condensado? Quem não ama? Portugal tem os seus, claro, e são bem bons. Mas e aquela mordomia de encomendar e receber na forma, perfeito e no ponto certo para ser servido? Lisinho por dentro e lindo de morrer? A Adriana Moraes ouviu as suas preces. Na Puddino Lx, os sabores vão do clássico de leite condensado a pistache, Nutella e um delicioso de café, levíssimo, que comi quase inteiro de uma vez só.

A febre dos pães artesanais, de fermentação natural, também chegou por aqui pelas mãos de brasileiros para fazer companhia às delícias já produzidas pela Gleba e pela Padaria da Esquina (aqui fornadas são comandadas pelo mestre dos mestres Mario Rolando). Timidamente, ainda, mas já com excelentes representantes dos trópicos. Entre os que recomendo de olhos fechados estão os da Cria Padaria Artesanal, em Cascais, comandada pela dupla Fernanda Novais e Júlio Vaz, e o Pão do Pastor, resultado da jornada quádrupla e incrível do publicitário Eduardo Pastor, que se reveza entre o trabalho em uma agência e as madrugadas literalmente com a mão na massa. Pastor cria sabores inusitados como cúrcuma e beterraba, além de clássicos, sempre com a casca firme e crocante e o recheio úmido. Detalhe: ele agora está testando brioches para o Natal.

Fugindo um pouco do tema comida, minha obsessão , outra tendência que vi nascer recentemente foi a das floriculturas e lojas de plantas cheias de bossa brasileira. A Saudade Flores é uma graça comandada pela dupla Ana Rocha e Raphael Monteiro, vindos diretamente de São Paulo. Impossível não lembrar da delicadeza da paulistana A Bela do Dia – aqui as entregas também são feitas em uma bicicleta fofíssima. Quando decidi tentar transformar minha sala em selva (deu certo!), a Superbotânica foi um achado (e a monstera enorme que comprei por lá segue sendo a grande vedete!). A Ticolas é outra que oferece serviços semelhantes.

É… Tem um pedacinho bom do Brasil por aqui.

Nota de rodapé. Eu estou longe de ser saudosista do tipo que atravessou o Atlântico para se lamuriar da falta que tudo o que é tropical faz. Pelo contrário. Amo Portugal, amo seus costumes, amo sua cultura e sou muito feliz aqui. Me sinto ofendida quando ouço alguém falar mal de qualquer coisa por prazer ou hobby. Desde criança que não curto a combinação de arroz com feijão e nunca me dei muito bem em carnavais (estive sempre no lugar errado e na hora errada – ou quase). Mas verdade seja dita: fico feliz de ver que tanta coisa que nos fala à alma está chegando do lado de cá devagarinho, com respeito, com qualidade e conquistando seu lugar.

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